Museu do Genocídio Tuol Sleng (S-21): Onde o Silêncio Grita em Phnom Penh


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Visitar o Camboja é, muitas vezes, confrontar o que de melhor e pior a humanidade tem para oferecer. Se os templos de Angkor nos mostram o auge da civilização Khmer, o Museu do Genocídio Tuol Sleng (S-21), em Phnom Penh, é o testemunho brutal de um dos períodos mais negros do século XX.

De Escola a Prisão: O Horror da S-21

Originalmente o Liceu Tuol Svay Pray, este conjunto de quatro edifícios foi transformado, em 1975, no centro de tortura e interrogatório mais temido do regime Khmer Vermelho. Renomeada como Prisão de Segurança 21 (S-21), a escola onde antes se ouviam risos de crianças passou a albergar o terror.

As salas de aula foram divididas em celas minúsculas de tijolo ou madeira, e as janelas foram cobertas com arame farpado para evitar fugas ou suicídios dos prisioneiros.

A Escala da Tragédia

Estima-se que entre 12.000 e 20.000 pessoas tenham sido encarceradas na S-21 durante os quase quatro anos de regime de Pol Pot. Dessas, sabe-se que apenas cerca de uma dúzia sobreviveu.

Ao caminhar por Tuol Sleng hoje, vais encontrar quatro edifícios principais que foram convertidos da sua função original de salas de aula em blocos de detenção e interrogatório.

O edifício A contém as estruturas de ferro das camas onde os prisioneiros eram acorrentados e torturados.

Os edifícios B e C guardam as pequenas celas de tijolo construídas no interior das antigas salas de aula.

O edifício D exibe as fotografias inquietantes dos prisioneiros que o regime documentou sistematicamente.

O museu preserva estes espaços quase sem alterações, confrontando-te diretamente com a realidade do que ali aconteceu.

À entrada podes ler o “regulamento” imposto, que proibia os prisioneiros de gritar ou chorar durante os interrogatórios.

Conselhos para a Visita

  • Respeito: Mantém o silêncio e evita tirar selfies ou fotos desadequadas. É um local de luto.
  • Audio-guia: É altamente recomendável alugar o áudio-guia oficial (disponível em português). As histórias contadas por sobreviventes e guardas dão uma dimensão humana que os painéis não conseguem transmitir.
  • Estado Emocional: Prepara-te psicologicamente. É uma visita pesada e é comum sentir necessidade de algum tempo de introspeção após sair do museu.

Perguntas Frequentes (Frequently Asked Questions FAQs)

As crianças podem visitar o Museu do Genocídio Tuol Sleng?

As crianças podem visitar, mas convém pensar bem antes de levar crianças pequenas.
O museu contém imagens perturbadoras e relatos de atrocidades, pelo que é mais adequado para visitantes adultos.

É permitido tirar fotografias dentro dos edifícios do museu?

É permitido tirar fotografias dentro dos edifícios do museu, mas deves fazê-lo com respeito.
Evita usar flash e nunca fotografes outros visitantes sem permissão, já que se trata de um local de memória solene.

Os visitantes podem contratar um guia local em Tuol Sleng?

Sim, podes contratar um guia local mesmo à entrada de Tuol Sleng.
Eles oferecem explicações pessoais e muito informadas sobre a história do local, e alguns guias são até sobreviventes que partilham testemunhos diretos daquela era.

Quanto tempo dura normalmente uma visita a Tuol Sleng?

Normalmente, vais passar entre 1,5 e 3 horas a visitar Tuol Sleng.
A experiência é emocionalmente intensa, por isso vale a pena reservar tempo suficiente para absorver as exposições, ler os testemunhos dos sobreviventes e refletir sobre este lugar histórico tão marcante.

Onde posso encontrar visitas organizadas à prisão S-21?

Na GetYourGuide há vários programas que combinam a prisão S-21 com os campos de extermínio (killing fields).

Conclusão

Ao visitar o Camboja, e estive lá por várias vezes, sempre senti a falta dos “avós”, aquela parte da sociedade mais velha, mas tão importante e estruturante. É a quase ausência de uma geração. A média etária do Camboja é hoje de 25 anos. Mais de metade da população tem menos de 15 anos. Estima-se que quase 25% da população morreu naquele período (execuções políticas, fome e subnutrição, doenças e exaustão).

Uma nota final para registar que Kaing Guek Eav (conhecido como “Duch”), ex-director da prisão S-21, foi condenado a prisão perpétua em 2010, tendo morrido na prisão em 2020.

— Mário Ferreira  |  Surin, Isaan, Tailândia

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